Em um momento em que a cidade revisita sua história e reafirma a importância da memória coletiva, Juiz de Fora dá um passo significativo na preservação e democratização do seu patrimônio: está disponível ao público a Hemeroteca Digital do município.
Hemeroteca é o nome que se dá ao acervo dedicado à guarda, organização e consulta de publicações periódicas, como jornais e revistas. No formato digital, esse conteúdo passa a ser acessível também de forma remota, ampliando o alcance da informação e garantindo a preservação de documentos históricos.
A Hemeroteca Digital de Juiz de Fora reúne materiais do setor de memória da Biblioteca Municipal Murilo Mendes e também do Arquivo Histórico da cidade, facilitando acesso a uma vasta documentação que também segue disponível fisicamente nas sedes dos dois espaços. São jornais e revistas que ajudam a contar a trajetória do município desde o final do século XIX até as primeiras décadas do século XX, além de documentos administrativos e históricos fundamentais para pesquisadores e para toda a população.
A iniciativa é resultado de um projeto de extensão desenvolvido em parceria entre o Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste) – Campus Juiz de Fora e a Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Funalfa e da Empresa Municipal de Tecnologias de Juiz de Fora (Emtec). O projeto, denominado “Juizforana”, foi coordenado pelo professor Jefferson de Almeida Pinto, do Núcleo de História do IF Sudeste, com orientação técnica do professor Sandro Roberto Fernandes, do Núcleo de Informática, e contou com a participação do bolsista Giovanni Stroppa.
Demanda da BMMM
Segundo Jefferson, a proposta surgiu a partir da demanda da Biblioteca Municipal Murilo Mendes de tornar acessível um acervo já digitalizado, mas ainda indisponível ao público. “A partir do momento em que o sistema entra no ar, qualquer cidadão, em qualquer parte do mundo, pode acessar jornais publicados em Juiz de Fora”, destaca. Ele ressalta ainda que o projeto também incorpora documentos do Arquivo Histórico, ampliando o alcance da plataforma e fortalecendo a preservação do patrimônio documental da cidade.
A origem da iniciativa está diretamente ligada ao trabalho da historiadora e documentalista Heliane Casarin, que, durante todo o período em que esteve à frente do setor de memória da Biblioteca Municipal Murilo Mendes, atuou de forma incansável na preservação e organização desse acervo. Foi a partir dessa dedicação que se consolidou a base documental que hoje se torna acessível ao público em ambiente digital.
Possibilidade de expansão
Outro diferencial do sistema é sua estrutura aberta à expansão. A plataforma foi desenvolvida para permitir a inclusão contínua de novos acervos, à medida que outros materiais forem digitalizados, garantindo longevidade e crescimento ao projeto.
A gerente do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural (Dempac) da Funalfa, Renata Morais, informa que cerca de 70% do acervo já foi digitalizado, o que torna o lançamento uma conquista importante para o município. Já o diretor-geral da Funalfa, Rogério Freitas, destaca que a iniciativa representa o primeiro grande passo para a modernização e o fortalecimento da Biblioteca Municipal Murilo Mendes, com a perspectiva de novas ações no futuro.
Mais do que disponibilizar documentos, a Hemeroteca Digital reafirma o valor da memória em tempos recentes de desafios para a cidade. Ao preservar e compartilhar sua história, Juiz de Fora fortalece sua identidade e amplia o acesso ao conhecimento, permitindo que passado e presente dialoguem de forma aberta, acessível e permanente.
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