O site da Funalfa divulgou ontem (6) matéria sobre a realização do 1º Festival de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Festac), que será realizado em novembro e já nasce integrado ao Circuito de Festivais de Teatro do Interior de Minas Gerais. O circuito reúne atualmente cerca de 20 festivais em todo o estado, entre os quais o Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete (Face), organizado pelo Ponto de Cultura Centro Cultural Casa do Teatro. E foi justamente na 23ª edição do Face, realizada no fim do mês passado, que quatro produções juiz-foranas se destacaram e trouxeram 13 prêmios para casa (sem esquecer, claro, da participação mais que especial da Cia. Teatrando, com o espetáculo “Casca, Origem e Tempo”).
Alternativo
“Representar Juiz de Fora no maior festival de artes cênicas do interior de Minas Gerais é sempre um prazer!”, afirma Fernando Valério, diretor da peça “Benze”, que garantiu nove indicações dentro das dez categorias da seção alternativa. Ao todo foram quatro prêmios: “Melhor Cenografia”, ‘’Melhor Sonoplastia”, “Melhor Atriz Coadjuvante” para Denise Nascimento e “Melhor Ator” para a interpretação de Welerson Moreira.
A peça mergulha nas raízes espirituais e culturais de Minas Gerais, explorando o impacto da cura espiritual dentro de pequenas comunidades rurais, e se consagrou como a mais premiada da categoria neste ano. “Esse júri especializado legitimar o nosso trabalho é algo muito prazeroso para nós e para a cidade. Porque esses prêmios não entram só para o nosso portfólio, ele entra também para o portfólio da produção cênica amadora de Juiz de Fora. E amadora no sentido não de menor, mas no sentido de gestão, de produção e de amor”, exalta Valério, que é ainda coordenador do Programa Gente Primeiro Lugar, gerido pela Funalfa e executado pela Associação Municipal de Apoio Comunitário (Amac). “Estamos fazendo o que a gente ama da forma como a gente acredita.”
Garantindo o Prêmio Especial do Júri, a montagem “Lá nas Minas: Contos de Lavadeiras”, do Grupo Nzinga de Contadoras de Histórias, se destacou por seu “trabalho que enfatiza a educação antirracista promovendo acesso à cultura, à identidade negra e a valorização das histórias que foram historicamente apagadas”, segundo a organização do prêmio. Para Lucimar Silverio, integrante do grupo Nzinga, “receber o prêmio na categoria alternativa foi uma coisa mágica, sabe? A gente ficou muito honrada porque o ‘Lá nas Minas’ vem contar as nossas histórias autorais. Todas nós do grupo, de alguma forma, descendemos de lavadeiras e um dia resolvemos contar essas nossas histórias”.
A atriz também comenta com felicidade a inclusão do formato da contação de histórias em meio ao festival de teatro, porque as linguagens, embora apresentem diferenças, são igualmente potentes em reconhecer e amplificar narrativas comumente apagadas. “A gente conta as histórias realmente com a alma, sabe? Reconhecer a potência desse trabalho, a verdade imbuída nisso, foi maravilhoso. Perceber também que é isso que a gente, enquanto professoras, leva para dentro da escola. As nossas histórias pretas, através das cantorias das lavadeiras e de tantas outras. E principalmente o trabalho preto, que sempre foi tão diminuído e desvalorizado.”
Infantil
Com direção de Gabriel de Oliveira e estrelada pelos alunos de teatro da Praça CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados), a peça “Luz Ancestral” traz para o palco a história de Bença, que, após ter conflito com a mãe, terá que enfrentar seu monstro familiar: o Orgulho. Ao todo, a Trupe da Lua recebeu quatro indicações e trouxe para casa três delas: Prêmio Especial do Júri, Melhor Maquiagem e Melhor Atriz Coadjuvante para Eloá Caldas. Durante a cerimônia de encerramento do 23º Face, os jurados exaltaram o simbolismo da montagem e o impacto emocional da narrativa. “Mais que uma peça: um chamado, um gesto de reverência às vozes que vieram antes de nós”, afirmou um dos membros do júri.
Drama
Conduzindo o público em uma jornada íntima, “Quanto Vale” retrata a história de Vida e sua mãe, Maria, que enfrentam a dolorosa probabilidade da perda da casa da família, entre tensões e mágoas que se acumulam ao longo do tempo. Foi com essa produção que a Cia. EITA! concorreu dentro da categoria de drama pela primeira vez em sua trajetória de sete anos. Ao todo foram oito indicações e cinco prêmios: Melhor Sonoplastia, Melhor Figurino, Melhor Atriz Coadjuvante para Fernanda Vital, Melhor Ator Coadjuvante para Lucas Barbosa e Melhor Espetáculo, um dos prêmios mais cobiçados da noite.
“Estarmos sozinhos dentro dessa categoria é carregar o nome da nossa cidade e a qualidade do que é feito e produzido por aqui. Ficamos imensamente gratos e felizes de conseguirmos resistir, continuar e levar nossa arte para além das fronteiras de Juiz de Fora”, afirma Lucas Nunes, responsável pela direção da montagem.
A Cia. EITA!, nascida do Programa Gente em Primeiro Lugar, ganhou grande notoriedade com o trabalho voltado para o público infantil, a peça “Assinado, Téo”, e agora trabalha pela primeira vez fora desse eixo. Sobre as vitórias em Lafaiete, o diretor comenta: “Nosso trabalho, além das reflexões sobre a vida, é também uma denúncia e um protesto contra um crime ambiental que aconteceu fora da região sudeste do país. Entendemos a importância e a responsabilidade de falar sobre a temática que abordamos. O prêmio de melhor espetáculo na categoria drama nacional celebra e comprova de alguma maneira que estamos no caminho certo”.
Por fim, Lucas Nunes, que também é supervisor pedagógico das oficinas da Praça CEU, relembra que, além do Face, no fim de julho ainda aconteceu o 9º Festival Nacional de Teatro de Passos e Região, onde o grupo teatral Sala de Giz recebeu nove indicações pela peça “Terra sem Acalanto”, garantindo os prêmios de Melhor Texto Original para Felipe Moratori e Melhor Espetáculo Alternativo. “Foi uma noite memorável, muito importante para Juiz de Fora e para os artistas de teatro da cidade que trouxeram reconhecimento e prêmios para cá”, conclui Nunes.