A solenidade de entrega da 20ª edição do Prêmio Amigo do Patrimônio será realizada no dia 10 de dezembro, às 18h30, no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). A escolha da data reforça o simbolismo da premiação: 10 de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Humanos, e celebrar o prêmio neste dia é reconhecer que o direito à memória é, também, um direito humano fundamental.
A preservação do patrimônio cultural, especialmente do patrimônio imaterial, é uma forma de garantir que histórias, práticas, saberes e identidades de comunidades marginalizadas não sejam apagados. A memória é um instrumento de dignidade, de justiça histórica e de fortalecimento dos vínculos sociais. Ao proteger o patrimônio imaterial, asseguramos que narrativas silenciadas por processos de exclusão, racismo, desigualdade e violências diversas permaneçam vivas, transmitidas e valorizadas. É uma forma de reparar ausências históricas e reafirmar que todas as pessoas têm direito à sua história, à sua cultura e ao reconhecimento de suas contribuições.
Nesta edição comemorativa, que recebeu 70 inscrições, 17 iniciativas foram escolhidas pela Comissão Julgadora, um número que evidencia a amplitude e a diversidade das ações de preservação cultural existentes em Juiz de Fora. A maior parte das iniciativas contempladas diz respeito justamente ao patrimônio imaterial, reafirmando seu papel central na construção de uma sociedade mais justa, plural e comprometida com seus próprios laços de memória.
Conheça as 17 iniciativas premiadas:
Tarsila Palmieri
Artista plástica e arquiteta, tem um trabalho voltado à valorização do patrimônio arquitetônico e cultural de Juiz de Fora. Autora do livro de aquarelas “Pontes do Paraibuna”, transforma elementos urbanos em arte acessível, afetiva e educativa. Sua produção inclui canecas, lenços, gravuras e objetos decorativos com imagens de fachadas, monumentos e ladrilhos históricos, promovendo o reconhecimento da identidade urbana. Com múltiplas técnicas e suportes, seu trabalho democratiza o acesso à arte e ao patrimônio.
Escola de Capoeira Angola São Bento – Ecasabe
Sob a liderança de Pedro Augusto Freitas Ribeiro (Contramestre Caramujo) e Elizabeth Campos Silva (Contramestra Maneira), é um importante núcleo de preservação e difusão da Capoeira Angola em Juiz de Fora. Há duas décadas se destaca por manter vivo esse Patrimônio Cultural Brasileiro e Patrimônio Imaterial da Humanidade. A realização do 10º Encontro de Capoeira Angola da Ecasabe, em 2025, com a presença do Mestre Curió, reforça o compromisso contínuo com a tradição, a formação cultural e a articulação comunitária.
Victor Miguel Silva de Oliveira e Ana Julia da Silva Oliveira
Têm relevante atuação na promoção, difusão e salvaguarda do patrimônio cultural imaterial por meio da capoeira em Juiz de Fora. Com criatividade, acessibilidade e compromisso com a inclusão social, desenvolvem práticas educativas e culturais que valorizam essa tradição. Há três anos, realizam atividades regulares em Nova Benfica, fortalecendo os vínculos comunitários, garantindo a continuidade e a renovação dessa expressão cultural entre as novas gerações e contribuindo para a fruição dos espaços públicos.
Inácio Botto
Guia de turismo, turismólogo e historiador, é autor do livro “História e Turismo: um olhar sobre a cidade de Juiz de Fora-MG (1900-1930)”. Por meio da publicação, bem como dos passeios realizados ou da produção de conteúdo digital que alcança milhares de pessoas diariamente, sua atuação desperta o interesse, o cuidado e o pertencimento em relação à história local. É um trabalho que preserva memórias, promove a educação patrimonial e fortalece os laços entre os cidadãos e os espaços da cidade.
Resgatando Juiz de Fora, por Isaac Balassiano
O programa idealizado por Isaac faz importante trabalho de resgate da história da cidade, abordando marcos políticos, sociais e culturais que marcaram Juiz de Fora. Dividido em episódios temáticos, o trabalho se destaca pela dedicação à pesquisa, pelo uso de fontes escritas e orais e pelo compromisso em apresentar conteúdos históricos relevantes de maneira compreensível para o público em geral. Ao valorizar a memória e o patrimônio cultural local, o programa se consolida como uma ferramenta de preservação da identidade juiz-forana.
Marco Aurélio Monteiro de Assis
É o responsável técnico do Museu Ferroviário há mais de 20 anos, onde atua com dedicação na preservação e difusão do patrimônio ferroviário de Juiz de Fora. Descendente de uma família de ferroviários, carrega consigo não só o conhecimento técnico, mas também uma vivência profunda e afetiva com esse universo. No museu, realiza visitas guiadas, oficinas de conservação e ações educativas que promovem o diálogo entre gerações, conectando o passado ferroviário da cidade com o presente.
Dalila Varela Singulane
Com abordagem crítica, decolonial e antirracista, desenvolve, desde 2016, pesquisas, ações educativas e práticas de salvaguarda com foco na inclusão das memórias negras e indígenas, promovendo o combate a silenciamentos históricos e o fortalecimento dos vínculos comunitários. Sua produção acadêmica é voltada à análise do impacto do racismo na preservação patrimonial, com destaque para a dissertação “A valsa de águas-vivas” (2021) e a pesquisa de doutorado sobre ancestralidade quilombola.
Movimento Samba das Mulheres da Praça JF
O grupo promove encontros musicais gratuitos em praças públicas, incentivando a ocupação dos espaços urbanos por meio da arte, da cultura popular e da valorização do samba como patrimônio imaterial. Além de ampliar a participação feminina no samba, o movimento promove a inclusão de mulheres com deficiência na prática musical. É também um Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura, o que reforça seu compromisso com a diversidade, o acesso e a preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Escola Municipal José Calil Ahouagi
Localizada no bairro Marilândia, tem sido exemplo de empenho e luta em demonstrar a relevância da cultura africana e da cultura negra brasileira no currículo e na prática escolar. Trabalhando com temáticas imateriais de patrimônio, o corpo escolar realiza um trabalho interdisciplinar durante todo o ano, que culmina na coroação que acontece na celebração do Reinado. Premiar a escola é fazer lembrar que, além de possível, é necessário dar atenção à história negra no Brasil para a conquista de uma cidadania plena.
Associação Ingoma de Democratização e Preservação do Patrimônio Cultural Material e Imaterial
Grupo artístico e cultural com 16 anos de atuação ininterrupta em Juiz de Fora. Referência na Zona da Mata, o Ingoma se dedica à pesquisa, criação e difusão das culturas populares brasileiras, especialmente Reinados e Congados. Seu foco está nas comunidades do interior, com as quais mantém uma relação direta e respeitosa de troca e apoio mútuo. Sua atuação integra cultura, educação, inclusão e cidadania, fazendo do Ingoma um verdadeiro catalisador do patrimônio imaterial brasileiro.
Erika Senra
Tecelã com mais de 35 anos de atuação, unindo tradição, inovação e sustentabilidade. Aprendeu a arte do tear manual em 1987 com a mestra Benevinda Pacheco, na Serra de Ibitipoca, e desde então desenvolve técnicas próprias, como o uso de tecidos descartados e materiais reaproveitados, criando peças únicas e sustentáveis. Também atua como educadora na Associação Linhas de Minas e em oficinas voltadas para jovens e mulheres, promovendo o ensino da tecelagem como ferramenta de autonomia econômica e preservação cultural.
Márcio Henrique de Oliveira
O site e aplicativo JF Patrimônio promove o acesso democrático e inovador às informações sobre os bens patrimoniais de Juiz de Fora. A plataforma oferece conteúdos gratuitos sobre os bens tombados ou reconhecidos na cidade, com uso de geolocalização, rotas, textos, imagens, vídeos, áudios, QR Codes, além de permitir comentários, sugestões e compartilhamentos pelos usuários. Trata-se de abordagem pioneira, comprometida com a inclusão e com contribuição concreta para a valorização, difusão e preservação do patrimônio cultural local.
Projeto Patrimônios Negros de Juiz de Fora
Vinculado ao Centro de Conservação da Memória da UFJF, destaca-se pelo mapeamento e valorização das narrativas da população negra na construção histórica e cultural da cidade. O projeto realiza entrevistas com personalidades da militância e da cultura negra, além de desenvolver oficinas, minicursos, exposições e produções acadêmicas, promovendo um processo contínuo de visibilização de memórias historicamente silenciadas. Exemplo é a websérie Grito Urbano, que explora a história do Hip-Hop local, reforçando o papel ativo da cultura preta na formação de Juiz de Fora.
Digitalização das Atas da Câmara Municipal de Juiz de Fora
A superintendente Nilma Ferreira de Sá, da Divisão de Arquivos e Registros Processuais da Câmara Municipal, coordenou, em parceria com o Centro de Conservação da Memória da UFJF, a digitalização de 21.843 páginas de atas (1950–2002). O material foi disponibilizado em repositório virtual, garantindo a preservação do acervo original e ampliando o acesso público à memória política da cidade.
Professor Mestre Haron Crisóstomo Castañon Mattos
É mantenedor de um rico acervo sobre capoeira e atua como professor de capoeira na rede municipal de educação desde 2004. É pesquisador, autor e coautor de diversos trabalhos publicados sobre a capoeira. Por meio de ações educativas, eventos culturais e formação de novas gerações, mantém viva essa tradição, fortalecendo identidades, promovendo inclusão e garantindo que a capoeira continue como herança viva e instrumento de transformação social.
Lucínia Altomar Scanapieco
Tem uma atuação expressiva na preservação e divulgação da memória e do patrimônio de Juiz de Fora, com um acervo pessoal valioso, fruto de legado familiar, que disponibiliza a pesquisadores e interessados. Seu trabalho aborda temas como a imigração italiana, o carnaval local (especialmente os Ranchos Carnavalescos) e a participação juiz-forana na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Atuante na Festa das Etnias e diretora cultural do grupo Tarantolato, também mantém o blog “Lucínia, Guardiã de Memórias”, democratizando o acesso à cultura local.
Equipe de Jornalismo da TV Integração – Zona da Mata
Destaca-se pela contribuição para a difusão do conhecimento sobre o patrimônio cultural da cidade. Em 2025, quadros como Integração no Bairro têm apresentado curiosidades históricas sobre os bairros, enquanto Alô Comunidade dá voz a histórias potentes e silenciadas de pessoas que ajudaram a construir nossa identidade. Tem desenvolvido também séries comemorativas importantes, como sobre os 96 anos do Cine-Theatro Central, o centenário do apito do meio-dia, e o calçadão da Rua Halfeld e suas galerias.