A trajetória de uma das grandes defensoras da cultura popular e da educação em Juiz de Fora passa a ser celebrada também no espaço escolar. A Escola Municipal do bairro Santa Cândida agora leva oficialmente o nome de Adenilde Petrina Bispo, em homenagem à educadora, líder comunitária e referência na valorização das tradições culturais da cidade. A norma foi sancionada pela prefeita Margarida Salomão nesta segunda-feira (9), com projeto escrito pela vereadora Laiz Perrut.
Adenilde construiu uma história profundamente ligada à comunidade do Santa Cândida, onde atuou por muitos anos como professora da rede municipal de ensino e como articuladora de iniciativas sociais e culturais. Reconhecida pela dedicação à educação pública e pela atuação em movimentos comunitários e do movimento negro, ela se tornou uma voz importante na defesa da igualdade, da cultura e da participação popular.
No último ano, Adenilde também integrou a equipe da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), exercendo a função de Assessora Especial para Interlocução e Valorização da Cultura Popular. Nesse papel, contribuiu para fortalecer o diálogo entre o poder público e mestres, grupos e coletivos culturais da cidade, atuando diretamente na promoção e no reconhecimento de manifestações tradicionais que fazem parte da identidade cultural juiz-forana, principalmente, da cultura hip-hop.
Para o arte-educador e assessor da Funalfa Alessandro Rodrigues (Zói), que teve sua trajetória ligada à de Adenilde desde cedo, a homenagem representa um marco importante para a comunidade.
“Estamos muito felizes por essa conquista. Não só eu, mas toda a periferia de Juiz de Fora, principalmente a comunidade do bairro Santa Cândida. Jovens e adolescentes se espelham na professora Adenilde Petrina. Acredito que a escola sendo representada com o nome Adenilde Petrina vai trazer mais paz, amor e esperança para a nossa comunidade. Eles nunca irão esquecer, por exemplo, que Adenilde Petrina apresentou a eles a história da escritora Carolina Maria de Jesus, catadora de papel e moradora da favela que relatou a fome, a pobreza e a exclusão social em seus diários, alcançando sucesso internacional com o livro Quarto de Despejo. Refletimos que até no lixão nasce flor.”
A mudança no nome da escola representa mais do que uma homenagem: é também um reconhecimento público à trajetória de uma mulher que dedicou a vida à educação, à cultura e à construção coletiva de uma cidade mais justa e diversa.
Ao eternizar o nome de Adenilde Petrina Bispo em uma instituição de ensino do bairro onde construiu grande parte de sua história, Juiz de Fora reafirma a importância de preservar a memória de quem contribuiu para fortalecer a cultura, a cidadania e o vínculo com a comunidade.