No último sábado (28), a gerente do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural (Dempac) da Funalfa, Renata Morais, e a supervisora de Pesquisa e Educação Patrimonial da instituição, Carine Muguet, estiveram no distrito de Humaitá para se reunir com a comunidade e apresentar os resultados do trabalho de mapeamento e inventário das referências culturais locais. Também participou da visita a pesquisadora Marcella Ribeiro, ligada ao projeto de extensão Inventários Participativos, desenvolvido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com a Funalfa.
O encontro teve como objetivo compartilhar com os moradores o que foi identificado ao longo do processo, construído de forma colaborativa com a própria população. Entre os bens inventariados estão a Festa da Serra, celebração tradicional marcada pela religiosidade e forte participação comunitária, e a Igreja Matriz Santa Maria Eterna, espaço central da vida social e religiosa do distrito, fundada no século XIX e presente na memória afetiva dos moradores.
Inventário como instrumento de preservação
De acordo com a Constituição Federal, o inventário é um instrumento de proteção do patrimônio cultural que identifica e descreve bens de relevância para a comunidade. Diferente do tombamento ou do registro, ele não implica proteção legal imediata, mas aponta o valor cultural desses bens e orienta possíveis ações de preservação.
Juiz de Fora conta atualmente com mais de 2 mil bens inventariados. Até poucos anos atrás, esse trabalho era realizado exclusivamente por equipes técnicas da Funalfa, responsáveis por selecionar os bens considerados relevantes. No entanto, segundo a supervisora de Pesquisa e Educação Patrimonial da Funalfa, a metodologia passou por alterações importantes a partir de 2022. “O que mudou de 2022 para cá foi a forma de fazer os inventários, tornando-os participativos. Passamos a colocar a população no centro. É a população que nos diz o que tem valor para ela”, destaca Carine.
A partir dessa nova abordagem, os inventários passaram a ser construídos com base em escutas da comunidade, mapas afetivos e processos colaborativos, garantindo que as referências culturais reconhecidas estejam diretamente ligadas às vivências e significados atribuídos pelos moradores.
Retorno a Humaitá
Os bens identificados em Humaitá seguiram o rito legal e foram aprovados pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac), sendo posteriormente encaminhados ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG).
Como encaminhamento do encontro, ficou acordado que o material técnico produzido será transformado em uma versão mais didática e acessível para a comunidade. A proposta é disponibilizar um conjunto impresso e buscar parcerias para a produção de um e-book. A intenção é de que a publicação seja lançada em maio, mês em que se comemora o aniversário de Juiz de Fora.