Por Renata Morais*
Hoje é domingo, mas também é Dia do Patrimônio Cultural! Você sabe por que dia 17 de agosto é o Dia Nacional do Patrimônio Cultural?
O dia foi instituído para marcar o centenário de nascimento do jornalista Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), em 1937. Ao longo de sua trajetória, Melo Franco de Andrade dedicou-se à preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Comemorar o Dia do Patrimônio Cultural é refletir sobre a imaterialidade dos grupos afro-indígenas, porquanto a destruição de seus registros materiais foi deliberativa para que houvesse um apagamento de sua memória e sua história.
Dentro dessa perspectiva, o patrimônio imaterial pode ser compreendido como saberes, modos de fazer, festas, celebrações, músicas, práticas culturais, expressões, conhecimentos e tradições que são guardados e transmitidos de geração para geração.
Em nossa cidade, dois bens imateriais registrados nos chamam a atenção por sua força. O Batuque Nelson Silva (Decreto 9.085/2007) e a Roda de Capoeira (Decreto 16.938/2024). Ambos podem ser categorizados como “Patrimônio Negro”, conceito destinado a identificar a cultura material e imaterial ligada à construção da história e da identidade desse povo.
Atualmente, a Funalfa reconhece a relevância da salvaguarda desses saberes e práticas e, por essa razão, vem promovendo atividades em um espaço voltado ao fomento da cultura, o Mercado Cultural AICE, localizado no Mercado Municipal.
Em maio deste ano, comemorando o aniversário da nossa cidade, tivemos uma oficina de capoeira, juntamente com uma apresentação sobre suas práticas e suas possibilidades. Na ocasião, o grupo “Corpo e Alma”, coordenado pelo mestre Kiko, expôs a beleza dos movimentos do corpo e dos ritmos movidos pelo som do atabaque.
Para abrilhantar o mês do Patrimônio Cultural, convidamos o Makamba, grupo voltado para a preservação do jongo. O canto da jongueira Aline Oliveira, embalado pelo som do atabaque e pelos gestos das danças, lembrou nossos ancestrais, os quais utilizavam-se do jongo como forma de resistência.
Compreende-se que, ao fomentar essas oficinas e apresentações, o poder público instrumentaliza a salvaguarda e a valorização de patrimônios até então relegados. Promove-se, ainda, educação patrimonial, que tem como função a formação de cidadãos que valorizem a diversidade cultural e a respeitem.
Assim, deixamos uma reflexão importante: embora as ruas e praças da nossa cidade sejam adornadas por prédios, casas e palacetes idealizados nos estilos eclético, art déco, art nouveau, não podemos descuidar das imaterialidades que, tal como esses imóveis, sobreviveram ao tempo e aos silenciamentos.
*Renata Morais é historiadora, doutoranda na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e gerente do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural (Dempac) da Funalfa