O acesso à história e à memória juiz-forana acaba de se tornar mais inclusivo no Museu Ferroviário. Por meio de um projeto contemplado pela Lei Municipal Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, foram implantados recursos de acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras), permitindo que pessoas surdas tenham uma experiência mais completa e autônoma durante a visitação ao espaço.
A iniciativa foi desenvolvida a partir da percepção de que grande parte das informações disponíveis no museu estava acessível apenas em português escrito, especialmente nos painéis da sala “História da Ferrovia”. Como a Libras é a primeira língua de muitas pessoas surdas, a ausência de conteúdos acessíveis representava uma barreira para a compreensão plena da narrativa histórica apresentada no local.
O projeto resultou na produção de seis vídeos em Libras, que passaram a integrar o circuito de visitação do museu. Para facilitar o acesso ao conteúdo, foram instalados três totens multimídia com tablets em pontos estratégicos do espaço. Além da tradução, os vídeos utilizam recursos visuais, como animações e edição de imagens, contribuindo para uma experiência mais dinâmica e acessível aos visitantes.
Para um dos idealizadores do projeto, Renan Norberto, a iniciativa contribui para tornar a história mais acessível e democrática. “Essa história que estamos contando passa pela história do Brasil e até mesmo pela história do mundo. Acredito que iniciativas como essa são essenciais, porque é por meio delas que conseguimos começar a promover, de fato, a inclusão das pessoas surdas nos espaços culturais e garantir que todos tenham acesso a esse conhecimento”, destacou.
Além do professor Renan Norberto, que também atua como intérprete de Libras, o projeto contou com a participação dos professores surdos Camila Finamore e Daniel de Souza, além de Lúcia Tosetti, responsáveis pelo trabalho de tradução e interpretação que garantiu a acessibilidade e a plena participação do público nas atividades desenvolvidas.
A proposta já contou com a participação direta do público beneficiado. No dia 2 de junho, alunos surdos e surdocegos do Centro de Educação de Jovens e Adultos Doutor Geraldo Moutinho (CEM) realizaram uma visita mediada ao Museu Ferroviário e puderam testar os conteúdos desenvolvidos pelo projeto. A experiência permitiu avaliar os recursos implantados e demonstrou, na prática, como a acessibilidade pode ampliar o acesso à cultura e fortalecer a participação da comunidade surda nos espaços de memória.
Os conteúdos também podem ser acessados por meio de QR Codes distribuídos pelo museu. Ao utilizar a câmera do celular, os visitantes são direcionados aos vídeos, que permanecem disponíveis ainda no YouTube, ampliando o alcance da iniciativa e permitindo que as informações possam ser consultadas a qualquer momento.