A programação de julho do projeto Tela Brasileira chega ao fim em grande estilo na próxima terça-feira (28), com uma sessão especial dedicada ao Festival Brejo Maldito, evento juiz-forano voltado ao cinema de horror e fantástico. A mostra reúne quatro curtas-metragens que exploram diferentes vertentes do gênero, reafirmando a força da produção audiovisual independente local. A exibição é gratuita, realizada em parceria com o Cinema Alameda, e os ingressos serão distribuídos uma hora antes da sessão, diretamente na bilheteria do cinema.
Criado pelas produtoras Doutor Zumbi e Sencine Filmes, o Festival Brejo Maldito nasceu em Juiz de Fora com o objetivo de fortalecer a cena cultural independente e ampliar o espaço dedicado ao cinema de gênero. Em sua primeira edição, realizada em 2025, o festival reuniu mais de 250 filmes inscritos de diferentes regiões do país, promoveu debates com realizadores e atividades interativas, consolidando-se como uma importante plataforma de valorização do horror e do fantástico no cenário nacional.
A sessão reúne quatro produções que exploram diferentes vertentes do horror contemporâneo brasileiro. Entre elas está “Claustrofilia”, de Piêtro Fregulia, que acompanha Bento, um homem isolado em seu apartamento que desenvolve uma relação perturbadora com o próprio quarto, transformado em uma entidade possessiva que promete protegê-lo do mundo exterior enquanto exige sacrifícios cada vez mais violentos.
Também integra a programação “O Sacrifício do Quarto Anjo”, de Breno Guarino e Vinícius Tostes. O falso documentário resgata a investigação sobre a banda independente The Four Angels, marcada por assassinatos brutais de seus integrantes. Anos após a interrupção das filmagens, novas imagens revelam segredos inquietantes envolvendo os crimes e o projeto inacabado.
Outro destaque é “Sangue de Gaia”, de Duda Goettnauer, que acompanha Tânia, uma jovem trans recém-aprovada em uma universidade pública, ao se mudar para uma república habitada por mulheres místicas. Inspirado em clássicos como Suspiria e Corra!, o curta utiliza o horror para discutir transfobia e os riscos de interpretações extremistas do misticismo do Sagrado Feminino sobre corpos dissidentes.
Completa a seleção “Cordão de Prata”, de Getulio Ribeiro, ambientado em 1985, ano do fim da ditadura militar brasileira. Passado na periferia da Baixada Fluminense, o filme constrói uma narrativa marcada pela violência e pelas permanências históricas do autoritarismo no país.
Ao final da sessão, o público poderá participar de um debate com os realizadores, que contará com as presenças de Piêtro Fregulia, Breno Guarino, Vinícius Tostes, Duda Goettnauer e Getulio Ribeiro, proporcionando uma oportunidade de conhecer os processos criativos das obras e discutir o cinema de horror contemporâneo produzido no Brasil.
Promovido pela Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Funalfa, o projeto Tela Brasileira busca ampliar o acesso ao cinema nacional e fortalecer o diálogo entre realizadores e público, valorizando produções independentes e a diversidade do audiovisual brasileiro.